Missão, Visão, Objetivos, Estratégia

O XXI Governo Constitucional, no seu programa para a saúde, estabeleceu como uma das medidas prioritárias defender o SNS e promover a saúde. Reconhece-se, nesse âmbito (Despacho nº 199/2016), que é prioritário desenvolver de forma profunda os cuidados de saúde primários e os cuidados continuados ao mesmo tempo que se deverá concretizar uma melhoria relevante no funcionamento dos hospitais, assim contribuindo para o relançamento e sustentabilidade do SNS.

No atual sistema de saúde todas as ações têm como objeto e alvo o doente sendo, por isso, centrado no hospital, na doença e na produção de atos. A mudança pretendida no SNS exige uma abordagem sistémica, que se afigura complexa, envolve um horizonte temporal de médio prazo, tem custos de investimento na transição e requer uma mudança cultural, em que o doente se assuma como agente e gestor do seu projeto de saúde, a promoção da saúde e a prevenção da doença sejam preocupação de todos, a coordenação de cuidados e a articulação entre serviços sejam a regra, os cuidados sejam desenvolvidos por equipas de profissionais onde o trabalho assente em protocolos técnicos e programas estruturados, nomeadamente na doença crónica e na doença mental.

Os hospitais, como as restantes instituições do sistema de saúde, terão que orientar-se para a produção de valor em saúde, isto é, obter melhores resultados em saúde para os doentes, com maior qualidade nos processos de tratamento (técnico-clínica, experiência do doente) e contendo os gastos, de modo a que aumente o benefício por euro gasto, promovendo assim a sustentabilidade.

Esta orientação constitui um requisito fundamental para a necessária integração de objetivos, dos doentes, dos cidadãos, da tutela e dos profissionais, que poderá ser resumidamente expressa em:

  1. Melhorar a qualidade dos processos, a segurança e a experiência dos doentes;
  2. Aumentar o acesso e diminuir o tempo de resposta;
  3. Melhorar a eficiência reduzindo o desperdício sob todas as suas formas;
  4. Desenvolver os profissionais para melhoria do seu desempenho;
  5. Contribuir para a melhoria da governação e para a sustentabilidade do SNS.

 

Para atingir esses objetivos nos hospitais dever-se-ão concretizar um conjunto de mudanças, que se traduzirão genericamente em:

Ajustamento do seu papel, combatendo a inapropriação, assegurando a coordenação de cuidados e a articulação com outros serviços;

Reorganização interna e promoção de melhor gestão e governação, com maior transparência, responsabilização, prestação de contas e um enfoque especial na satisfação de doentes e no desenvolvimento e satisfação de profissionais;

Aumento da economia e da eficiência em medicamentos, dispositivos médicos e meios de diagnóstico e terapêutica;

Melhorias no sistema de qualidade e gestão de riscos – definição de estratégia, de objetivos e sua avaliação, assegurando uma estrutura de qualidade e processos de gestão de acordo com a importância decisiva que tem num hospital;

Ajustamento da rede de hospitais e de serviços de urgência, evitando a duplicação e sobreposição e melhorando simultaneamente a qualidade e a eficiência, com capacitação e qualificação dos serviços (ex. centros de referência), e garantindo equidade de acesso através da descentralização do ambulatório e melhor articulação de serviços.

Concretamente a melhoria de funcionamento dos hospitais obter-se-á através de reformas incidindo na sua organização interna e nos mecanismos de responsabilização e avaliação, garantindo a melhoria da informação, clínica e de gestão, a coordenação e a articulação com outros níveis de cuidados e outros agentes, da saúde e sociais. Esta estratégia deve incluir, entre outras medidas, uma alteração do modelo de funcionamento do sistema das urgências/emergências, a promoção da ambulatorização dos cuidados a todos os níveis, nomeadamente pelo aumento da cirurgia de ambulatório, o desenvolvimento de um plano para o acompanhamento dos doentes crónicos em articulação com os restantes níveis de cuidados, de politicas de medicamentos eficazes e de uma utilização racional dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica. Esta mudança implica ainda um melhor planeamento dos recursos humanos e incentivos à mobilidade dos profissionais, dentro do SNS.

Data de Atualização: 03-11-2016
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