Coordenação Nacional para a Reforma Cuidados de Saúde Hospitalares

  • Coordenador Nacional

    Prof. Doutor Fernando de Jesus Regateiro, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC)

    Equipa de Apoio

    Dr. António da Silva Dias Alves, administrador hospitalar no Centro Hospitalar do Porto, E. P. E.;

     

    Enf. Bruno Noronha Gomes, enfermeiro do Centro Hospitalar Lisboa Norte, E. P. E.;

     

    Dr. Carlos Alberto Gomes António, administrador hospitalar;

     

    Dr. Carlos Alberto Vaz, administrador hospitalar, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste, E. P. E.;

     

    Enf. Filipe Rodrigues Mendes Marcelino, enfermeiro supervisor do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E. P. E.;

     

    Dr. João José Guegués Silva Dias, médico, diretor do serviço de Ginecologia da Unidade de Faro do Centro Hospitalar do Algarve, E. P. E.;

     

    Dr. José António Lopes Feio, farmacêutico, diretor dos serviços farmacêuticos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E. P. E.;

     

    Dr. José Pedro Moreira da Silva, médico, diretor do serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/ Espinho, E. P. E.;

     

    Enf. José Ribeiro da Costa Nunes, enfermeiro -chefe do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, E. P. E.;

     

    Doutor Manuel Augusto de Castro Pereira Barbosa, médico, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, diretor do departamento de medicina do Centro Hospitalar Lisboa Norte, E. P. E.;

     

    Doutor Manuel Carlos Loureiro de Lemos, médico, professor associado da Universidade da Beira Interior;

     

    Dr. Rui Alberto Abreu Silva, sociólogo, diretor do serviço de aprovisionamento do Centro Hospitalar Lisboa Norte, E. P. E.

    Data de Atualização: 03-11-2016
  • O XXI Governo Constitucional, no seu programa para a saúde, estabeleceu como uma das medidas prioritárias defender o SNS e promover a saúde. Reconhece-se, nesse âmbito (Despacho nº 199/2016), que é prioritário desenvolver de forma profunda os cuidados de saúde primários e os cuidados continuados ao mesmo tempo que se deverá concretizar uma melhoria relevante no funcionamento dos hospitais, assim contribuindo para o relançamento e sustentabilidade do SNS.

    No atual sistema de saúde todas as ações têm como objeto e alvo o doente sendo, por isso, centrado no hospital, na doença e na produção de atos. A mudança pretendida no SNS exige uma abordagem sistémica, que se afigura complexa, envolve um horizonte temporal de médio prazo, tem custos de investimento na transição e requer uma mudança cultural, em que o doente se assuma como agente e gestor do seu projeto de saúde, a promoção da saúde e a prevenção da doença sejam preocupação de todos, a coordenação de cuidados e a articulação entre serviços sejam a regra, os cuidados sejam desenvolvidos por equipas de profissionais onde o trabalho assente em protocolos técnicos e programas estruturados, nomeadamente na doença crónica e na doença mental.

    Os hospitais, como as restantes instituições do sistema de saúde, terão que orientar-se para a produção de valor em saúde, isto é, obter melhores resultados em saúde para os doentes, com maior qualidade nos processos de tratamento (técnico-clínica, experiência do doente) e contendo os gastos, de modo a que aumente o benefício por euro gasto, promovendo assim a sustentabilidade.

    Esta orientação constitui um requisito fundamental para a necessária integração de objetivos, dos doentes, dos cidadãos, da tutela e dos profissionais, que poderá ser resumidamente expressa em:

    1. Melhorar a qualidade dos processos, a segurança e a experiência dos doentes;
    2. Aumentar o acesso e diminuir o tempo de resposta;
    3. Melhorar a eficiência reduzindo o desperdício sob todas as suas formas;
    4. Desenvolver os profissionais para melhoria do seu desempenho;
    5. Contribuir para a melhoria da governação e para a sustentabilidade do SNS.

     

    Para atingir esses objetivos nos hospitais dever-se-ão concretizar um conjunto de mudanças, que se traduzirão genericamente em:

    Ajustamento do seu papel, combatendo a inapropriação, assegurando a coordenação de cuidados e a articulação com outros serviços;

    Reorganização interna e promoção de melhor gestão e governação, com maior transparência, responsabilização, prestação de contas e um enfoque especial na satisfação de doentes e no desenvolvimento e satisfação de profissionais;

    Aumento da economia e da eficiência em medicamentos, dispositivos médicos e meios de diagnóstico e terapêutica;

    Melhorias no sistema de qualidade e gestão de riscos – definição de estratégia, de objetivos e sua avaliação, assegurando uma estrutura de qualidade e processos de gestão de acordo com a importância decisiva que tem num hospital;

    Ajustamento da rede de hospitais e de serviços de urgência, evitando a duplicação e sobreposição e melhorando simultaneamente a qualidade e a eficiência, com capacitação e qualificação dos serviços (ex. centros de referência), e garantindo equidade de acesso através da descentralização do ambulatório e melhor articulação de serviços.

    Concretamente a melhoria de funcionamento dos hospitais obter-se-á através de reformas incidindo na sua organização interna e nos mecanismos de responsabilização e avaliação, garantindo a melhoria da informação, clínica e de gestão, a coordenação e a articulação com outros níveis de cuidados e outros agentes, da saúde e sociais. Esta estratégia deve incluir, entre outras medidas, uma alteração do modelo de funcionamento do sistema das urgências/emergências, a promoção da ambulatorização dos cuidados a todos os níveis, nomeadamente pelo aumento da cirurgia de ambulatório, o desenvolvimento de um plano para o acompanhamento dos doentes crónicos em articulação com os restantes níveis de cuidados, de politicas de medicamentos eficazes e de uma utilização racional dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica. Esta mudança implica ainda um melhor planeamento dos recursos humanos e incentivos à mobilidade dos profissionais, dentro do SNS.

    Data de Atualização: 03-11-2016
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