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«Portugal tem um dos poucos bons sistemas de saúde do mundo».

O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, em entrevista ao Jornal i, que «Portugal tem um dos poucos bons sistemas de saúde do mundo». Tedros Ghebreyesus esteve esta semana em Portugal para o lançamento do Plano de Ação Mundial para a Promoção da Atividade Física 2018-2030.

Portugal foi o país escolhido porque tem um Serviço Nacional de Saúde (SNS) e porque «o Governo está empenhado no combate às doenças não transmissíveis e a atividade física faz parte desse movimento, tal como a luta contra o tabaco. Vimos um compromisso forte do lado do Governo, inclusive no reconhecimento desta necessidade de combater a falta de exercício físico», explicou o líder da OMS.

«Sabíamos de medidas como o imposto sobre o açúcar que Portugal introduziu ou o imposto sobre o sal», acrescentou. «E no caso do tabaco também têm adotado os instrumentos da OMS: Portugal foi um dos países que ratificaram o protocolo para a eliminação do comércio ilícito de tabaco».

Além disso, o país «está a combater as doenças não transmissíveis e essa mudança está a acontecer nos cuidados de saúde primários, que é algo que nos interessa muito». Tedros Ghebreyesus foi visitar a Unidade de Saúde Familiar da Baixa, em Lisboa, onde tomou conhecimento de que «os médicos já prescrevem exercício físico à população, é algo que já está no sistema de saúde», conforme salientou.

«Se pudermos focar-nos nestes fatores, levar as pessoas a se tornarem mais ativas, se as pessoas evitarem o tabaco, moderarem o consumo de açúcar e sal, haverá menos doença e isto significa que se poupará não só vidas mas também dinheiro, dinheiro que se gastaria na gestão de doença cardiovascular, AVC, cancro», defendeu o Diretor-Geral da OMS.

«Penso que é essencial reduzir os custos com doenças não transmissíveis para garantir a sustentabilidade. Se as pessoas tiverem hábitos mais saudáveis, os sistemas de saúde estarão menos sobrecarregados», acrescentou.

No que respeita à nova campanha nacional «Juntos Contra o Tabaco», promovida recentemente pela Direção-Geral da Saúde, Tedros Ghebreyesus considerou que «temos de ter cuidado com as mensagens que transmitimos», mas «não há dúvidas de que fumar é um fator de risco para a saúde. E em Portugal, em particular, os homens estão a fumar menos, mas o tabagismo está a aumentar entre as mulheres. Dirigir mensagens às mulheres é importante. Agora, fumar não é bom para ninguém, homens ou mulheres. Quando uma pessoa fuma, na realidade está a pagar para ficar doente».

«O tabaco não causa só cancro do pulmão mas também doença cardiovascular e AVC, o que foi um dos alertas do Dia Mundial Sem Tabaco», destacou, referindo que «é uma dependência, mas pode ser revertida. Medidas como consultas de cessação tabágica, como já existem por exemplo nos centros de saúde em Portugal, são algo importante».

Relativamente ao futuro e sustentabilidade do SNS, Tedros Ghebreyesus considerou que «o importante é reduzir custos e centrar os esforços nas doenças que custam mais dinheiro. Nesse sentido, se Portugal apostar mais em promoção da saúde e no reforço dos cuidados primários, vai reduzir as doenças não transmissíveis, que são as que representam mais custos para o sistema. Por outro lado, introduzir impostos inteligentes, taxando o tabaco, o açúcar, o álcool, faz sentido».

«Portugal tem um dos poucos bons sistemas de saúde. As pessoas conseguem queixar-se mesmo de coisas boas, porque as têm na mão. Dito isto, qualquer sistema de saúde pode melhorar. Ter um serviço nacional de saúde consagrado na Constituição é algo que procuramos que outros países venham a implementar de forma a garantir acesso à saúde a todos os seus cidadãos», concluiu o Diretor-Geral da OMS.

Fonte: Jornal i

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