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Quatro em cada 10 portugueses têm mais de 2 doenças crónicas.

O aumento do número de pessoas com múltiplas doenças crónicas, as mudanças demográficas com o aumento da população idosa e a redução da população ativa, as desigualdades sociais e de pobreza infantil refletem de forma clara os desafios substanciais com que Portugal ainda hoje se confronta.

Além disso, a crise financeira que atingiu o país nos últimos anos teve impactos no sistema de saúde nacional, ao reduzir a disponibilidade de recursos públicos para a cobertura de serviços de saúde e para os necessários investimentos.

Neste contexto decorreu em Lisboa, nos dias 29 e 30 de maio, o primeiro encontro de trabalho da Avaliação Externa das Políticas de Saúde, onde peritos nacionais e internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde e de países da União Europeia discutem e analisam os principais desafios do Sistema de Saúde Português. Durante dois dias, a discussão centra-se em temas como o futuro da integração de cuidados, os desafios do financiamento do SNS e ainda como melhorar a saúde dos portugueses através da ação sobre os determinantes de saúde.

O resultado desta reunião permitirá olhar de forma mais integrada as políticas de saúde em Portugal e identificar novos focos avaliação e apoio às políticas que estão a ser implementadas.

O Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, encerrou os trabalhos que decorreram no Edifício Tomé Pires, do INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, sala B, pelas 12h30.

As conclusões deste encontro foram apresentadas numa conferência de imprensa conjunta da OMS e do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde.

Conferência de imprensa

Avaliação Externa das Políticas de Saúde  

Um dos peritos internacionais que, a pedido do Governo, está a avaliar as políticas de saúde, defendeu hoje a  «requalificação do sistema de saúde» para assegurar uma continuidade de serviços desde o nascimento até aos cuidados paliativos.

Segundo Hans Kluge, especialista em saúde pública e representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) neste grupo de peritos, Portugal tem dado importantes passos neste sentido, mas deve ainda «direcionar para o apoio domiciliário» muitos dos serviços que são prestados em ambiente hospitalar.

Hans Kluge falava durante uma conferência de imprensa em que, acompanhado por um representante do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde e Constantino Sakellarides, especialista em saúde pública e consultor do Ministro da Saúde, foi assinalado o fim de seis meses de avaliação que resultará agora num relatório com sugestões.

Estas sugestões serão entregues ao Ministro da Saúde, a quem caberá decidir as medidas a aplicar.

Relatório final deverá estar disponível no primeiro semestre de 2019

«Muitos doentes, nomeadamente crónicos, não precisam de ser curados, mas antes de terem qualidade de vida», referiu Hans Kluge.

A este propósito, sublinhou o elevado número de doentes crónicos em Portugal, com patologias de elevado peso, como a diabetes, o problema da obesidade infantil e do tabaco.

Sobre o envelhecimento da população, disse que este é um fenómeno europeu, embora em Portugal sobressaia, pela negativa, o facto de serem menos os anos com qualidade de vida após os 65 anos.

Ainda sem revelar quais as recomendações que seguem no relatório final, este especialista defendeu um maior envolvimento das autarquias para atacar algumas das questões mais urgentes e que, na sua opinião, não poderão ser resolvidas apenas pelo Ministério da Saúde.

«A obesidade infantil, o álcool, a diabetes, o tabaco, cada vez mais consumido por mulheres jovens, são desafios que precisam de respostas e estas não estão apenas no Ministério da Saúde», disse.

Por sua vez, Josep Figueras, do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde, sublinhou os passos desenvolvidos por Portugal na área dos cuidados de saúde primários e defendeu a criação de «uma nova estrutura»  nesta área que responda mais prontamente onde as atuais revelam dificuldade: doença aguda doenças crónicas.

Para este especialista, o sucesso das medidas não passa apenas por mais recursos, até porque existem áreas em que estes poderão ser poupados, como no consumo excessivo de antibióticos, com o consequente impacto nas infeções hospitalares.

«Mais dinheiro é sempre bom, mas há áreas onde podemos ir buscar esses recursos», disse.

O relatório final desta avaliação deverá estar disponível no primeiro semestre de 2019. Antes disso, o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, deverá decidir sobre as respetivas recomendações.

Avaliação representa «um exercício de política humilde»

No final da conferência de imprensa, o Ministro da Saúde sublinhou que esta avaliação representa «um exercício de política humilde».

O Ministro manifestou interesse em demonstrar mais eficiência no sector, a qual não passa por demoras médias impróprias, consumo excessivo de antibióticos e elevada prevalência de infeções hospitalares.

Para saber mais, consulte:

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